Equipa técnica do FC Vila Franca
A primeira parte foi um retrato claro de complacência. Entrámos desligados da exigência do jogo, como se a sua suposta acessibilidade fosse garantia suficiente para o resolver sem esforço. Faltou-nos agressividade nos duelos, critério na circulação e, sobretudo, intenção. Jogámos em ritmo morno, previsível, permitindo que o tempo fosse passando sem qualquer sentido de urgência. Produzimos apenas um lance de relativo perigo — curto, manifestamente insuficiente — enquanto o adversário, incapaz de construir, também nada fez para alterar o rumo dos acontecimentos. Foi um período pobre, arrastado, onde a apatia se sobrepôs ao talento.
Mas o regresso dos balneários trouxe uma metamorfose absoluta.
Na segunda metade, a equipa elevou o seu jogo a um patamar de inequívoca superioridade, exibindo uma autoridade que roçou o domínio absoluto. A circulação tornou-se fluida e incisiva, os movimentos ganharam sincronização e inteligência, e a ocupação dos espaços passou a ser feita com uma lucidez quase pedagógica. Instalámo-nos no meio-campo adversário com uma naturalidade impositiva, desmontando, lance após lance, qualquer tentativa de resistência.
Os golos — quatro no total — surgiram como consequência lógica de uma exibição que combinou intensidade, critério e ambição. Ainda assim, o resultado final peca por escasso. Perante o caudal ofensivo produzido, seria perfeitamente legítimo falar de números bem mais dilatados. Faltou-nos, em momentos decisivos, a frieza necessária na definição, e encontrou-se pela frente um guarda-redes adversário que, com intervenções de elevado nível, evitou que o desfecho assumisse contornos verdadeiramente avassaladores.
Curiosamente, do outro lado, pouco mais houve do que um episódio isolado: um único remate enquadrado dentro da nossa grande área, traduzido em golo. Um lance fortuito, desconectado de qualquer dinâmica consistente, que não espelha, de forma alguma, o que foi o jogo.
Fica, portanto, uma vitória clara, mas acompanhada por uma sensação de oportunidade parcialmente desperdiçada. E fica também a nota dissonante de quem, à margem das quatro linhas, enverga a elegância de um fato, mas insiste em protagonizar atitudes que dificilmente se coadunam com a sobriedade e a elevação que esse traje simboliza. Porque, tal como no jogo, também na postura se exige mais.
Marcelo Barreto – treinador da ADC Anha
Hoje fizemos na minha opinião, o pior jogo da época.
Encontramos uma equipa que só quis jogo vertical, procurou sempre bola descoberta e nós não conseguimos impor o nosso jogo.
Um jogo fraquíssimo, onde assumimos a responsabilidade, onde não nos escondemos nem tentamos arranjar desculpas.
Unidade de treino de Terça feira no pensamento .
